terça-feira, 29 de março de 2011

- Sobre F A X I N A

Ao fechar o livro que tenho lido ultimamente (antes mesmo de apagar a luz e tentar dormir) veio a minha mente que a minha vida estava precisando de uma faxina, de uma geral, uma organização especial onde eu precisava arrumar lugar para o que estava jogado e me desfazer do que estava apenas ocupando espaço
Seria como arrumar seu quarto, seu guarda roupa, a sua mesinha de cabeceira. Como separar o que ainda serve para dar aos que precisam o que já não cabe mais em você ou o que já não usa. Como tirar todo lixo das gavetas, rasgar os lembretes, as cartas que nunca foram enviadas, mandar a luminária que está quebrada para o concerto. É como se você precisasse organizar seus livros, os que gostou, os que de interessante não tem nada, os que não acrescentaram nada em sua vida, os que você indica, os que marcaram, os que te serviram de asas e te fizeram viajar por um mundo melhor. Tirar os papeis de presente acumulados debaixo do colchão (porque nem os presentes você tem mais), trocar a colcha de cama, as fronhas, limpar os quadros e arrumar lugar para as coisas que realmente importam e que por falta de espaço (ou por medo de se desfazer das coisas velhas) estavam ali jogadas em cima de qualquer coisa, esperando que você desse atenção para elas e os colocassem em um lugar seguro. Era disso que minha vida precisava e não de algo superficial onde se passa a vassoura e se joga dentro do armário tudo o que está fora do lugar, para que pareça arrumado. Não. Minha vida precisava de uma faxina. Cabeça no lugar, peito aberto e coragem, muita coragem. Afinal, não é fácil jogar o que um dia foi importante fora, se desfazer daquilo que lutou tanto pra conseguir, para simplesmente dar lugar para o novo. 
As coisas que realmente importam hoje amanhã talvez não tenha tanto valor, ter alguém que te faça bem agora não é a garantia de que continuará a te fazer bem por toda uma vida. Passa, tudo passa. A moda, os tempos de escola, os amores de infância, as quadrilhas em época de São João, a vida na universidade, a beleza, o dinheiro, as pessoas. Mas, há algo que fica. Quando a gente SI ama, mesmo que todas as coisas passem, que a faxina na nossa vida seja feita semanalmente ou mensalmente ou até mesmo anualmente ou apenas quando há necessidade, mesmo que tudo seja jogado fora a gente consegue adquirir TUDO novamente. É o amor próprio que refaz a nossa vida, que nos tira do fundo do poço e nos leva até o topo da montanha mais alta. É ele que nos mostra que quem precisa estar inteira pra conseguir se levantar somos nós.
Hoje é dia de faxina, dia de jogar fora o que não me cabe mais, o que não me serve, o que não me acrescenta, o que não me importa. Dia de limpar a alma, calibrar a mente, colar o coração e preparar os pés para uma nova caminhada. Hoje é dia de colocar em ordem o que interessa e passar pra quem precisa o que  nunca fez questão de estar ali. É dia de abrir espaço, de alçar vôo, de derrubar muralhas. Hoje é dia de amar-se.


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